Bom dia, o prazer não é meu!

Posted on 22/03/2011

0


Como podem perceber pela cara deste blog, a verdade é que não tem bom dia coisa nenhuma. Mas não quis parecer rude, então, vá lá, pus no título o “bom dia” que todos dizemos com o mesmo valor semântico de “não me encha o saco” ou “estou bobolhando agora”. Entretanto, nesse caso, poderia também ter colocado “o prazer é meu” ou algo do gênero, certo? Errado, porque aí já seria hipocrisia, e não ironia. E é por essa mesma razão que começo este texto de súbito também.

Começo sem nem me apresentar, porque, afinal de contas, isso interessa? Por que diabos você que está lendo isto agora vai querer saber quem eu sou, de verdade? Eu também não tenho interesse em saber quem é você, de verdade. Pelo menos não agora. Agora eu quero que leia o que estou escrevendo. E agradeço por estar fazendo tanto, já que você não tem obrigação nenhuma de fazê-lo e pode muito bem me deixar escrevendo solitariamente, inutilmente, mandando um “vai se danar” para mim. Você inclusive se dar ao luxo de sequer escrever isso para mim, para que meu texto fique parecendo ainda mais solitário. E definitivamente, não posso ser contra essas expressões raras de sinceridade, ainda que internas, puramente privadas ou mesmo estritamente mentais. Porém, sei também que se você está lendo isto, é porque não tem nada melhor para fazer, o que apenas confirma um dos desmembramentos da tese que norteia este blog: nosso mundo é fundamentalmente uma porcaria.

Assim, agradeço sinceramente por estar lendo este texto e dando sentido à existência dele, mas ao mesmo tempo isso me faz solidarizar com você. A tal ponto que eu quase lamento por você ter que estar lendo isto. “Quase”, porque lamentar neste mundo é uma redundância; quero que este blog seja assertivo, exemplificativo, mas não redundante.

Creio que isto serve de apresentação, já que alongar mais o texto agora só trará (ainda mais) enfastiamento inútil para quem escreve e para quem lê (muito mais para quem lê, claro). Há algumas críticas levantáveis contra tudo isto que disse, e delas talvez eu trate em breve, em textos oportunos que tentarei manter pequenos. O propósito aqui é mostrar, em doses homeopáticas, porque este nosso mundo é uma porcaria. Uma grande porcaria. Que faz da eutanásia uma das poucas coisas que realmente prestam.

Dessa forma, despeço-me, agradecendo a paciência do leitor e já lamentando as próximas vezes em que nos encontrarmos, pois significará que ainda estamos aqui, completamente distanasiados.

Anúncios