Me mostra onde tá o capítulo e o versículo que defende liberdade de expressão na Bíblia

Posted on 23/03/2011

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Tirada da Folha (melhores momentos destacados por mim):

23/03/2011 – 10h34

Igreja ganha direito de fazer campanha contra sodomia

DA BBC BRASIL

Um juiz da Alta Corte da Irlanda do Norte revogou uma decisão do órgão regulador de publicidade (ASA na sigla em inglês) que tinha proibido um anúncio de uma igreja por considerá-lo homofóbico.

O anúncio de uma página, publicado pela primeira vez em agosto de 2008 pouco antes da parada gay de Belfast, trazia a manchete “A palavra de Deus contra a Sodomia” e fazia uma convocação para uma manifestação pacífica contra a prática.

Na época, após receber várias reclamações, a ASA decidiu que o anúncio de página inteira não poderia mais ser veiculado daquela forma.

Mas a igreja presbiteriana Sundown Free, que bancou o anúncio, entrou com uma ação judicial contra a decisão.

O juiz da Alta Corte considerou que a decisão da ASA interfere com o direito de expressão da igreja, que estaria coberta por um artigo da Convenção Europeia de Direitos Humanos que assegura a expressão de posições que choquem ou causem ofensas.

O juiz também observou que o anúncio não continha qualquer exortação à violência e deixava claro que qualquer ato de antagonismo contra homossexuais era inaceitável e injustificável.

SODOMIA

A igreja argumentou que a ASA interpretou mal a citação do anúncio, tirada do Livro de Levítico e que classifica atos homossexuais como abominação.
De acordo com a igreja, a descrição se aplica a prática da sodomia especificamente, e não a indivíduos específicos.

O reverendo David McIlveen, da igreja Sundown Free, considerou a decisão “histórica”.

“As pessoas podem citar a Bíblia e essa é a liberdade que buscávamos”, disse ele.

Este mundo é uma porcaria. No passado, acreditava que religião servia para ajudar as pessoas a encontrar a felicidade, e não para fazer provocação de torcida. Acreditava que pela religião nós adquiríamos a humildade de saber que somos minúsculos, insignificantes e sempre aprendizes, e não seres que se arrogam de saber o que se passa na cabeça do Todo-Poderoso.

Acreditava também que direitos serviam para garantir que ninguém fosse oprimido, e não para legitimar essa opressão contra uma minoria (numérica ou política). Achava também que direitos humanos existiam para proteger as pessoas de ofensas contra sua humanidade, e não para garantir que possam ser ofendidas. Pensei que a própria ideia de direitos humanos tivesse nascido justamente para evitar que esse tipo de coisa continuasse acontecendo.

Aliás, já cheguei a acreditar que coerência era uma necessidade do discurso. Mas então a gente vê que os direitos humanos asseguram a ofensa aos próprios seres humanos; e é harmonioso dizer que podem ofender gays ao mesmo tempo em que se diz inaceitável e injustificável antagonizar contra eles por meio de qualquer ato. O cara bateu o martelo nisso…

Aliás, a inconsistência do discurso é uma das coisas que emporcalham ainda mais a grande porcaria que é nosso mundo. Que desculpa mais vagabunda essa de que “abominável é a sodomia em si, não os indivíduos que a praticam”. Como se fosse possível existir homossexualidade sem homossexuais que a praticassem. Nós somos o que fazemos; o gay sabe onde dói quando sua sexualidade, a afirmação de seu corpo e personalidade é chamada de abominável. Essa é uma maneira bem perniciosa de ofender alguém dizendo que não está ofendendo. O nome dessa dissimulação é hipocrisia, e quando feita por uma maioria contra uma minoria, vira também covardia. Significa dizer que se eu sou contra a hipocrisia e a covardia, eu sou contra quem é hipócrita e covarde sim.

Não adianta vir com o papinho de que é tudo “protesto pacífico”. Não é necessário encostar em alguém para cometer atos de violência, pois o corpo não é a única parte do ser humano que pode ser ferida.

Mas voltando à incoerência, à hipocrisia e à covardia: cadê os protestos contra os supermercados que vendem carne suína? O mesmo Levítico condena comer porco (11:7), o que não parece condizer com o “café da manhã irlandês“. Cadê os protestos contra venda de caranguejo, camarão, marisco, ostra? Isso também é abominável (11:12). Aliás, o capítulo 12 desse livro bíblico, que só tem oito versículos, diz que mulheres que dão à luz são impuras – ou seja, não podem tocar coisas santas nem entrar na igreja. Se parirem um menino, ficam 40 dias de castigo. Mas se derem à luz uma menina, a impureza persiste por 80 dias. Será que as mães frequentadoras da Sundown Free ficaram quase três meses sem frequentar a missa?

Tá na cara que o rigor do mandamento bíblico só é aplicado quando convém. Querem ver? Esta é cara do cabeça da Sundown Free, o reverendo David McIlveen (ambas tiradas da BBC):

Para não restar dúvida, outra foto:

Alguém precisa denunciar esse falso profeta que não respeita a lei de Deus, claramente expressa em Levítico 19, 27: “Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba”! A não ser que o reverendo esteja fraquinho se recuperando de quimioterapia, não entendo porque ainda não protestou contra o funcionamento de todas as barbearias e cabeleireiros da Irlanda do Norte.

Não, ele quer adicionar mais coisas positivas à já belíssima história que o país tem quando se trata de religião e liberdade.

Quem dera que a porcaria aqui se resumisse no infeliz nome da igreja, “Sundown Free”…

Tirado do shelflife.com.br

ATUALIZAÇÃO: De fato, o nome da igreja não é “Sundown Free”, e sim “Sandown Road Free Presbyterian Church”. O trocadilho foi mais uma cortesia da Falha de São Paulo para nós. Este mundo é uma m…

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