O gigantesco narciso moribundo

Posted on 13/05/2011

0


Essas imagens dão dó. Sério; esse é o lado trágico de um mundo porcaria que é este em que vivemos. Milhões de pessoas enganadas, sofrendo e celebrando na palma da mão de uns poucos poderosos que pensam no mundo como seu quintal e controlam o governo (ainda?) mais poderoso da Terra. Mataram muita gente, mesmo gente dos EUA (cujas vidas são as únicas que valem alguma coisa naquele país), tudo pela cabeça do Osama Bin Laden. Agora que o pegam, após o enorme prejuízo financeiro e o imprecificável prejuízo humano e histórico, ainda têm a cara de pau de dizer que “estão vencendo”. Guerra é um jogo agora. Bom, que cantem vingança achando que estão cantando justiça, e que arrepiem o direito internacional mesmo quando alegam serem os baluartes da democracia, isso não surpreende, embora impressione negativamente. Eles sempre foram assim; os discursos humanitários só valem quando são convenientes. Guantánamo parece uma ressurreição do que havia de pior na Idade Média. Mas dá dó; vai dizer isso pra esse povão festejando… chega a apertar o coração, mesmo para alguém como eu que já odiou bastante o Império.

Entretanto, por esta eu não esperava. Não adianta fazer todo o circo que foi feito para a popularidade do Obama (que é uma baita duma pegadinha) se salvar pro ano que vem. Eles precisam tripudiar sobre a imagem do morto, dizendo que ele era viciado em pornografia. Já adianto que não vejo problema nenhum na pornografia em si. Mas no caso, fico com a impressão forte de que querem contrastar a imagem do muçulmano fanático com um pecador e assim manchar ainda mais a memória do bode expiatório da existência estadunidense. Como se pudessem dar alguma lição de moral sobre hipocrisia. E como se desse “pecado” eles não fossem os primeiros da fila: a mesma democracia moderna que aboliu a educação sexual em escolas para promover a abstinência sexual é a que de longe mais produz pornografia. E onde seus exércitos estão há sempre reclamações molestações sexuais, estupros, ou (mas não exclusivamente), no caso das vítimas muçulmanas, conspurcação de seus símbolos religiosos como o Corão.

Tiveram a pachorra de esconder as supostas fotos do terrorista morto e jogar seu corpo no mar. Se é verdade que havia pornozões na mansão do Osama, poderiam deixar essa informação de lado também, porque… oi? Qual é a relevância de saber disso? Tripudiar, apenas. Os EUA são como aquela criança contrariada que usa de tudo para atingir o alvo de seu ódio, até mesmo as piadinhas bobas, sem que haja necessidade alguma para tanto. Mas o faz porque sente algo ferido dentro de si, e sabe que não será tão cedo que irá sarar. Ao olhar para Bin Laden, a nação estadunidense olha para um espelho, e nele só vê o ódio, e tal como Narciso, ali se afunda e se afoga. Mas isso é o povo, o conjunto de títeres. Os titereiros não são crianças, não se enganam e não perdem tempo com piadas. Cautelosamente mexem seus dedos, seus pauzinhos, suas cordas, e das trevas comandam o horroroso espetáculo deste admirável mundo novo fora da literatura. É sério, este mundo é uma porcaria, e aí se explica muito do porquê.

Anúncios